sexta-feira, novembro 20

A utopia do mundo rural

"O Governo é acusado de agravar o problema encerrando no interior escolas, maternidades, tribunais (no novo mapa judiciário) e outros serviços públicos. Responde o Governo não fazer sentido manter escolas com menos de dez alunos, serviços de saúde sem um mínimo de movimento que os torne eficazes, tribunais quase sem processos (enquanto outros estão entupidos com montanhas deles), etc. É um ciclo vicioso: as pessoas fogem do interior porque não encontram lá oportunidades de emprego nem uma oferta razoável de serviços públicos (educação, saúde, justiça, etc.). E o Estado e as empresas evitam o interior porque vive lá pouca gente. Até que ponto é possível quebrar esse ciclo vicioso, através de políticas voluntaristas de promoção do desenvolvimento do interior? E quanto custariam elas? O problema não é só nosso. É universal a tendência moderna para as populações irem viver nas cidades. Mais de metade da população mundial já habita em áreas urbanas. No passado pré-industrial não era assim. A ideia de melhorar de nível económico e social era então uma utopia para a esmagadora maioria das pessoas, que ficavam agarradas ao campo, o seu ganha-pão. Com a industrialização tudo mudou. O desenvolvimento económico levou à concentração de pessoas, empresas e serviços públicos nas zonas urbanas. É aí que os investidores encontram mão-de-obra, bancos para os financiarem, serviços do Estado para lhes darem as necessárias licenças, meios de transporte para receberem fornecimentos e expedirem mercadorias, etc. Em Portugal a industrialização começou tarde, depois da Segunda Guerra Mundial. Por isso a saída das pessoas dos campos para as cidades só ganhou escala significativa há meio século. Mas de então para cá acelerou rapidamente. A mobilidade das populações foi intensificada pela cada vez maior abertura das economias ao intercâmbio internacional. A entrada da economia portuguesa na integração europeia (na EFTA, em 1960) aumentou a concorrência sentida por muitas empresas nacionais, mais um factor a incentivar a concentração geográfica de meios. Assim, o desequilíbrio entre um interior pobre, sem indústria, e uma faixa litoral mais desenvolvida não poderia senão aumentar, como aumentou. O fim do "Portugal essencialmente agrícola" também significou a morte previsível (mas raramente prevista) das aldeias. É, com certeza, uma tragédia pessoal para os poucos, geralmente velhos, que ainda lá estão. Vêem desabar o seu mundo com a partida dos mais novos, que procuram formação e emprego onde eles existem (ou parecem existir). Contra esta tendência, tenta-se atrair investimentos privados para o interior com benefícios fiscais. Os resultados são quase nulos. E, na falta de actividades económicas, as estradas que se constroem para quebrar o isolamento do interior servem sobretudo para as pessoas, uma vez instaladas no litoral, irem ao campo, onde muitas possuem segundas residências, nos fins-de- semana ou em férias. O máximo que, com um custo comportável, é possível fazer para travar a desertificação do interior está no desenvolvimento de algumas cidades médias. Cidades como Évora ou Vila Real, que beneficiam de terem universidades - mas não se pode colocar uma universidade em cada centro urbano. A sempre adiada descentralização de serviços (coisa diferente da regionalização) para esses núcleos urbanos médios ajudará, naturalmente, se vier a concretizar-se. Quando a qualidade de vida decai nos grandes aglomerados do litoral (por causa dos engarrafamentos de trânsito, nomeadamente), o progresso das telecomunicações atrai gente para uma vida mais calma em cidades do interior. Mas não haja ilusões: os grandes centros urbanos continuarão a oferecer bens que o interior, mesmo em cidades de média dimensão, não consegue disponibilizar. A nível pessoal e profissional. Há que ser realista, pois. E o pior dos irrealismos é pensar que uma reorganização político-administrativa como a regionalização, feita a partir de cima e sem correspondência em forças vivas locais, seria capaz de inverter a desertificação do interior. A realidade não se esgota no mundo político-partidário que gostaria de inventar mais empregos com mais burocracia."

Francisco Sarsfield Cabral, jornalista, Jornal Público, 17 de Março de 2008


Deixo a seguinte reflexão:
"Toda a gente critica a desertificação do interior do país, pressupondo que a tendência poderá ser invertida. Mas poderá mesmo?"

Nem tudo são boas noticias!!!

OCDE diz que portugueses perdem nível de vida até 2017


Portugal não conseguirá criar emprego nos próximos oito anos e terá o segundo menor crescimento dos 30 países da organização com sede em Paris.Portugal será o segundo país da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) com o menor crescimento entre 2011 e 2017 e os portugueses continuarão a afastar-se do nível de vida ostentado pelos países da Zona Euro. O país, a confirmarem-se as previsões de médio prazo, não conseguirá criar emprego nos próximos oito anos, nem atingir o equilíbrio orçamental.



Fonte: Diário de Noticias
Isabel Santos, candidata do PS derrotada na corrida à Câmara de Gondomar, é a nova Governadora Civil do Porto. Dos então 18 membros nomeados em Conselho de Ministros, contam-se mais quatro socialistas, que perderam as Autarquicas, mas ganharam a liderança de 1 gorverno civil. Perdeu as eleições? Então meu amigo, como penalização vai para Governador Civil.
Fonte http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=economia

Isto a nivel economico tem 1 efeito social corrosivo.

Também temos noticias agradáveis!

PME exportadoras com novo fundo de 250 milhões

Francisco Van Zeller, presidente da Confederação Industrial Portuguesa vai liderar o Conselho Coordenador para a Internacionalização.

O Conselho de Ministros aprovou ontem medidas para a concretização da estratégia de internacionalização da economia nacional, nomeadamente para aumentar as exportações, estimular o crescimento económico, promover a renovação da base produtiva e reduzir o défice externo. Esta estratégia de recuperação económica, que deve permitir a Portugal posicionar-se no novo panorama económico internacional como um País mais competitivo e com maior capacidade produtiva, foi anunciada por Vieira da Silva, ministro da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento, na conferência "Os Caminhos da Internacionalização" que ontem se realizou em Lisboa.

Assim, é criado um novo fundo, de 250 milhões de euros, para apoiar operações de desenvolvimento de pequenas e médias empresas (PME) em mercados internacionais; é criado o Programa Inov-Export, destinado a apoiar a inserção, numa primeira fase, de 500 jovens especialistas em comércio internacional em PME exportadoras ou potencialmente exportadoras, e atingir em fases subsequentes a meta de inserção de 1.500 quadros. São, igualmente, criadas 14 Lojas da Exportação especialmente dedicadas a fornecer apoio técnico às empresas exportadoras ou potencialmente exportadoras, bem como o Conselho Coordenador para a Internacionalização, que será liderado por Francisco Van Zeller.

Fonte: Diário Económico / Porquinho Mealheiro

Nota: Ou começamos a ver Made in Portugal pelo Mundo inteiro, ou a coisa fica mesmo preta!

Aceitam-se propostas para pôr em prática a teoria

Devem concentrar-se todos os esforços no apoio ao emprego
O professor da Universidade do Minho considera que é necessário que a economia cresça mais, para que isso se reflicta no emprego e considera que devem ser canalizados todos os esforços no combate ao desemprego e que as exportações devem ser apoiadas.

O aumento era esperado?
Já era esperado. Enquanto a economia não crescer a uma taxa superior a 1,5%, 2% ao ano é natural que o desemprego continue a subir. Agora estamos num período mais complicado ainda, porque não só a população activa está a descer, com as pessoas desencorajadas a procurar trabalho e, paralelamente a isso, estamos a perder empregos. O próprio potencial produtivo está a diminuir, que é um fenómeno que não aconteceu em 2003.

Fonte: Diário de Noticias

Nota: Qual página de EPI??!!

Pois é!! Milagres só se juntarem os 3 pastorinhos novamente!

Crise obriga Governo a novo OE rectificativo

Políticos e economistas querem explicações adicionais que justifiquem o pedido de mais 4,9 mil milhões de euros.

O Governo vai apresentar um novo Orçamento rectificativo à Assembleia da República para fazer face ao aumento do défice orçamental, anunciou ontem o ministro das Finanças. Teixeira dos Santos usou ontem o valor de referência que a União Europeia deu para o défice, 8%, preparando o terreno para a revisão em alta que deve anunciada hoje.

O ministro garantiu que a razão para o rectiticativo é a quebra das receitas. Mas, de acordo com as estimativas do Governo, o montante da receita em falta não explica a totalidade dos 4,9 mil milhões de endividamento adicional prevista neste rectificativo.

Ao contrário do que Teixeira dos Santos sempre disse, o Governo teve mesmo necessidade de fazer aprovar uma segunda alteração orçamental. Caso contrário, "fica paralisada a acção do Estado", frisou o ministro, colocando pressão sobre a oposição, que deverá ter "sentido de responsabilidade", acrescentou.

Fonte: Lusa / Finantial Times

Nota: Se ainda tiverem vontade, podem comentar.

E a procissão vai no adro

Portugal tem mais 116 mil desempregados do que há um ano

Os dados do IEFP revelam novo máximo no número de desempregados inscritos nos centros de emprego. No entanto, volume de ofertas subiu.

O ligeiro reanimar da economia nos dois últimos trimestres ainda não se reflecte no mercado de trabalho. O número de desempregados medido pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) voltou a atingir um máximo histórico em Outubro, ultrapassando os 517 mil.

O valor espelha a deterioração do mercado de trabalho, já que representa um aumento de 29,1% em termos homólogos - o que corresponde a mais 116.712 pessoas no desemprego - e de 1,4% face a Setembro. A parte menos negativa dos dados do IEFP é que o crescimento do número de inscritos nos centros de emprego subiu de forma mais moderada em termos mensais. Em Setembro o aumento tinha sido mais expressivo, de 1,7%, face a Agosto. Outro indicador positivo é o número de novos desempregados que atingiu os 65.481, uma redução de 0,8% face ao número de novos desempregados registados um ano antes e de 9,8% face a Setembro.

Os números surgiram na mesma semana em que o Instituto Nacional de Estatística revelou que a taxa de desemprego do terceiro trimestre se situou nos 9,8%, um máximo histórico desde 1986. Por outro lado, a OCDE divulgou ontem as previsões para o desemprego para 2010 que deverá superar os 10%.

Fonte: Reuters /Porquinho Mealheiro

NOTA: E os números estão muito maquilhados pelos falsos empregados!!

Um dia corda vai partir!!

Volkswagen quer semana de seis dias na Autoeuropa

Em Março, a fábrica de Palmela anunciou um ‘lay off’. Agora, o aumento das encomendas obriga a fábrica a trabalhar ao sábado. Os trabalhadores rejeitam.

A maior fábrica de carros portuguesa volta a ser confrontada com uma tentativa da casa-mãe para alterar o ritmo de trabalho, devido à recuperação do mercado automóvel e ao aumento do volume de encomendas. A Volkswagen (VW) insiste que é preciso aumentar o número de dias de trabalho por semana, pois só dessa forma será possível a fábrica tornar-se competitiva.

"Cada colaborador deveria compreender que devido à procura anual, teríamos de adoptar uma semana a seis dias de modo a compensar as semanas de trabalho mais curtas de Abril e Maio deste ano", diz a carta da administração da VW enviada à Comissão de Trabalhadores (CT) da Autoeuropa, a que o Diário Económico teve acesso.

Uma medida que a casa-mãe sugere que seja implementada pelo menos até 2012. Em resposta a esta carta, a CT diz que "os trabalhadores decidiram e está decidido", referindo-se ao pré-acordo chumbado em Junho passado (ver texto ao lado). "A comissão sabe que alguma coisa tem que ser feita, mas os trabalhadores não podem ser prejudicados" defendeu António Chora, coordenador da CT, em declarações ao Diário Económico.

Fonte: Diário Económico / Porquinho Mealheiro

NOTA: Uma noticia que vale a pena comentar!!!
Já visitaram o porquinho... »»» Free Hit Counter