quinta-feira, dezembro 31

A bancarrota na Grécia e em Portugal

Portugal vai entrar em bancarrota? Provavelmente não, mas essa probabilidade era zero há uma década e é hoje bem alta.

1. A relevância das taxas de juro
Quando um Estado gasta mais do que as suas receitas (um défice), tem de pedir emprestada a diferença. Em vez de irem a um banco, os países vendem obrigações do tesouro em leilão. Estes papéis rendem ao seu portador uma quantia fixa dentro de um certo período, e são vendidos a quem estiver disposto a pagar mais. Se eu ganho o leilão oferecendo 900 euros hoje por uma obrigação que rende mil euros daqui a um ano, a taxa de juro que o Estado português paga é 10%.

Entretanto, há um mercado activo e líquido onde todos os dias posso vender este papel a outra pessoa. Se uns dias depois vendo a obrigação por 950 euros, ficamos a saber que se o Estado tivesse feito um novo leilão nesse dia, a taxa de juro cairia para 5%. O preço neste mercado permite por isso aferir a taxa de juro que o Estado enfrenta todos os dias.
As taxas de juro mudam e são diferentes de país para país em função do risco das obrigações. Existem dois riscos numa dívida do Estado. Primeiro, o risco de o Estado declarar bancarrota. Nos países desenvolvidos, isto acontece raramente. Portugal já não o faz desde 1892; a Grécia, desde 1893; e a Alemanha, desde 1932. Segundo, existe o risco de o Estado imprimir dinheiro e gerar inflação. Embora a quantia a pagar seja a mesma na moeda do país, o seu valor real na perspectiva de um estrangeiro passa a ser menor. A inflação ou, equivalente, a desvalorização da moeda é uma forma disfarçada de renegar o pagamento da dívida. Portugal nos anos 80 e 90 fazia- -o frequentemente. Por isso, quando o Estado português pedia emprestado, pagava uma taxa de juro bem mais alta do que a cobrada à Alemanha.
Com a entrada no euro, este segundo risco desapareceu. Portugal e a Alemanha passaram a ter a mesma moeda, e o controlo da inflação passou para as mãos do Banco Central Europeu. O BCE é independente dos Estados para nunca ceder à tentação de criar inflação para lhes resolver problemas fiscais. A figura 1 mostra a taxa de juro anual paga pela Alemanha nas obrigações a 10 anos entre 2002 e 2007, assim como a taxa paga por outros países da zona euro, incluindo Portugal. Eliminado o risco da inflação, e sendo remoto o risco de bancarrota, com o euro Portugal passou a pagar quase a mesma taxa de juro que a Alemanha.
Para apreciar quão extraordinário isto é, no gráfico está também a taxa de juro paga pelo Reino Unido. O mero risco de desvalorização da libra levou a que Portugal durante estes 6 anos pagasse bem menos pelas suas dívidas do que os honrados súbditos de Sua Majestade, apesar da sua reputação secular de bons pagadores.

2. O período pós-2008
No segundo gráfico vê-se a diferença entre as taxas de juro pagas pela Grécia, Irlanda, Itália, Espanha e Portugal e a taxa de juro paga pela Alemanha desde 1 de Janeiro de 2008. De um diferencial médio de 0,12% entre 2002 e 2007, estes países passaram a pagar desde então taxas de juro acima das alemãs, que na sexta-feira chegaram aos 2,7% para a Grécia. No início de 2009, Portugal pagou mais 1,58% do que a Alemanha, um número tão assustador que me levou a escrever uma coluna no "Expresso" intitulada "O verdadeiro pânico".
Este número revela que os investidores punham uma probabilidade séria de Portugal entrar em bancarrota. Se isto acontecesse, ninguém mais quereria emprestar a Portugal, o que forçaria medidas draconianas que eliminassem em absoluto o défice. As tentativas de controlo das contas públicas dos últimos 4 anos mostram que isto só seria possível com cortes drásticos nos salários dos funcionários públicos, e talvez mesmo a eliminação de programas como o rendimento social de inserção.
Uma alternativa à bancarrota é a saída da zona euro, a recuperação do escudo, e a desvalorização imediata da nova moeda. Esta hipótese é menos plausível. Em primeiro lugar, agora que a dívida portuguesa foi contraída em euros, desvalorizar o escudo só ajudaria se a dívida fosse reformulada em escudos, o que é complicado em termos legais. Para além do mais, desvalorizar o escudo viria com inflação nos dois dígitos, e os muitos produtos importados a que estamos habituados saltariam para preços proibitivos. As dívidas das empresas portuguesas no estrangeiro, denominadas em euros, explodiriam, levando a falências em catadupa e a uma subida em flecha do desemprego. Por fim, o Estado não conseguiria achar investidores a quem vender novas obrigações, forçando o mesmo ajuste repentino das contas públicas. Deixar o euro evitaria a bancarrota formal, mas teria consequências mais graves.

3. Crise financeira e contágio
Como pode este cenário catastrófico ser visto pelo mercado como provável? Antes de imaginar histórias nebulosas de malvados especuladores, relembre-se que qualquer pessoa pode comprar obrigações do tesouro portuguesas. Se você acha que o mercado está errado nesta avaliação, deve aproveitar-se da taxa de juro apetecível neste instante.
Umas semanas depois do meu artigo no "Expresso", tive de discutir numa conferência académica o novo trabalho de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff (acabado de sair em livro). Estes dois autores documentaram a história das muitas crises financeiras dos últimos 200 anos. Uma das suas conclusões é de que quase todas as crises levam à bancarrota dos Estados com contas públicas mais frágeis. A crise financeira de 2008-09 e os nossos falhanços sucessivos em controlar as contas públicas explicam a percepção de bancarrota revelada pelas taxas de juro.
Mesmo assim, a primeira bancarrota seria provavelmente na Grécia. A Irlanda também estava em perigo, mas depois de medidas corajosas para controlar o défice nas últimas duas semanas, a sua taxa de juro caiu a pique. A Grécia tem uma dívida pública maior do que Portugal (em parte devido à aventura dos Jogos Olímpicos e do novo aeroporto de Atenas), um défice maior, e uma história recente marcada por truques contabilísticos de fazer corar até os nossos políticos. No último mês, os gregos recusaram tomar medidas de controlo do défice, continuando a endividar-se a grande ritmo.

Mas se a Grécia seria a primeira, isto não devia tranquilizar Portugal. A 18 de Agosto de 1998, a Rússia declarou bancarrota. Nas semanas seguintes, países tão diversos com o Brasil, o México e até a Região Administrativa de Hong Kong tiveram sérias dificuldades em encontrar compradores para a sua dívida pública. Estes países tinham finanças públicas em melhor estado do que Portugal. Uma olhada rápida à figura 2 mostra que se a Grécia cair, a pressão cairá de seguida sobre Portugal, Espanha e Itália.
Pode prever-se com certeza este contágio? Não, o contágio nas crises ainda é um tema difícil de explicar ou prever. Por exemplo, a Argentina declarou bancarrota em Dezembro de 2001 e, com a excepção do Uruguai, praticamente não houve contágio. É difícil, no entanto, não ter insónias sobre o assunto.

4. Respostas postiças
Como sempre, quando o problema é sério, surgem argumentos postiços que menorizam a questão. Primeiro, pode olhar-se para a figura 2 e notar que o Reino Unido está a pagar a mesma taxa de juro que Portugal. Mas o Reino Unido tem a libra, Portugal o euro. A taxa de juro inglesa reflecte o risco (normal) de desvalorização da libra em relação ao euro; a taxa de juro portuguesa reflecte exclusivamente o risco de bancarrota.
Segundo, pode esperar-se que os países ricos da zona euro, como a Alemanha e a França, venham em nosso socorro. Mas partir daqui para concluir que não há problema é um disparate. Se os alemães pagarem as nossas dívidas por nós, não o farão sem contrapartidas. Vão exigir que os portugueses ponham as contas em ordem, de forma a pagarem o favor e evitarem futuros problemas. Isto é precisamente o que faz o FMI. Quem viveu em Portugal durante as intervenções do FMI sabe quão draconianas são as medidas para pôr as contas em ordem. Como descreveu Luís Campos e Cunha no "Público" há poucos dias, Portugal transformar-se-ia num protectorado da Alemanha.

5. Conclusões
Portugal vai entrar em bancarrota? Provavelmente não. Mas a possibilidade de isso ocorrer era praticamente zero há uma década e hoje é bem alta. Uma simples chance em cem de renegarmos as nossas dívidas pela primeira vez desde 1892 é assustadora.
Como qualquer pessoa afundada em dívidas, Portugal tem duas opções. Uma é ganhar mais dinheiro com um aumento no crescimento económico. Há uma década que Portugal não cresce. A outra é corrigir o défice público, o que nesta altura de recessão só tornaria a vida dos portugueses ainda mais difícil. Se Portugal tem estas escolhas dolorosas só tem de se culpar a si mesmo pela irresponsabilidade do crescimento do Estado e pela acumulação de dívida pública nos últimos 20 anos.
No mínimo, exige-se aos nossos governantes que tranquilizem os nossos credores com intenções claras, apoiadas por medidas concretas, de controlo das finanças públicas e promoção do crescimento económico. Continuar a esconder o problema dos portugueses, entretendo-os com telenovelas de insultos na Assembleia da República e temas fracturantes no topo da agenda só levará mais depressa ao precipício.

por Ricardo Reis, Publicado no Jornal Diário “i” em 21 de Dezembro de 2009

quarta-feira, dezembro 30

Justiça. Uma alavanca para o crescimento económico?

Tem-se ouvido muito ruído, nestes últimos tempos sobre a justiça em Portugal. Conscientemente, acredito que com um sistema judicial transparente, equidativo e para todos, irá trazer mais investimento para Portugal. Ou então para qualquer outro país de Africa que esteja em vias de desenvolvimento. Sim, Africa, porque só num país em desenvolvimento é que a justiça está subdividida entre pobres e afortunados. Oiço muita gente nessa caixinha mágica, de nome televisão, a dizer que a justiça é complexa. Ora, parece-me que a justiça é complexa na sua execução, e é por isso que os advogados e juizes queimam as pestanas a estudar tijolos cheios de anotações durante a sua vida académica e profissional.
Mas a justiça tem de ser cristalina no momento em que exerce o seu poder, para que o pastor da serra, com a quarta classe, seja capaz de compreender a decisão que condena o senhor banqueiro que meteu ou desviou (e não roubou como é apelidado à classe pobre) milhões ao bolso.
Subitamente olhamos à nossa volta e vimos um barco a ir lentamente ao fundo, contundo os seus marinheiros continuam a bordo, preocupados unicamente em salvar os seus bens pessoais do que propriamente evitar que o barco afundasse. É um lastro de egoisto que apenas acelera o desastre. Ao contrário do Titanic, a justiça portuguesa colidiu com um icebergue chamado "poder politico".
Boas leis são essenciais para o desenvolvimento económico. Sem elas não conseguimos nada, mas precisamos também de uma boa justiça, ágil, com pessoas preparadas e competentes à margem de qualquer tipo de pressão.
Já dizia o admirável Medina Carreira que "O grande motor do crescimento económico é a sociedade, os seus grupos privados e os cidadãos, por isso devemos dar-lhes condições de crescer".
HAJA SAÚDE e FELIZ 2010
ncanhita

"Temos um défice assustador"

A expressão é de Mário Soares, o primeiro-ministro que, na década de 80, teve de negociar um empréstimo com o FMI numa altura em que Portugal exibia um défice orçamental comparável ao de hoje, superior a 8% do PIB. Num longo artigo publicado hoje na revista “Visão”, em que antecipa a chegada de 2010, o antigo chefe de Governo e Presidente da República escreve que "é óbvio que Portugal está em crise", traduzida num "défice assustador" e num "endividamento muito grande". Soares aponta ainda o dedo à repartição da riqueza em Portugal, que “continua a ser muito injusta”, e às “desigualdades sociais intoleráveis”, mas sublinha que “já passámos por crises piores” e que “não somos a Grécia”."Encaremos, com inteligência, coragem e sem complexos as crises", designadamente na área da Justiça, que considera ser "a mais grave de todas".“Tenhamos confiança e bom senso”, recomenda Mário Soares, reconhecendo, porém, que ambas são características que “não abundam entre alguns políticos e empresários portugueses”.

Fonte: http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=402735

Inês Nunes

1000 de muitos mais!

Parabéns
a todos aqueles que postam, cometam ou simplesmente visitam o Porquinho Mealheiro,
atingimos no passado dia 26 de Dezembro as 1000 visitas!
Espero que sejam as primeiras 1000 de muitas 1000!
Mas preferirei que sejam muitas menos 1000, mas que haja muito mais post e comentário do que até agora! Espero que saiam da toca e publiquem e opinem!

Conto convosco e já agora feliz NATAL (sei que já passou), que para mim não ligo especialmente, e lembrem-se que o ano tem, pelo menos, mais 364 dias, que mereciam os mesmos sentimentos que cada um tem neste dia a que chamam Natal!

Abraço apertado a todos os amigos

segunda-feira, dezembro 28

Miguel Sousa Tavares in "Expresso"

Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos...
Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.
Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.
Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...- Não, não vai ter.
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.
Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.
- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.
Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.
Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!

Reflexões

"Existem dois modos de conceber as relações humanas. Um, como se fosse uma transacção económica regulada pelo direito. O outro, como o encontro de duas pessoas cheias de egoísmo e de generosidade, de avidez e de ímpeto, de cólera e de ternura. Por isso a quem nos ajudou a viver, devemos sempre alguma coisa e a relação nunca poderá terminar.

Apercebemo-nos desta verdade com as pessoas que amamos, que temos amado. Mesmo quando não estamos de acordo com elas, mesmo quando a relação nos pesa, mesmo quando estamos separados, sentimos que permanecem sempre como parte do nosso ser e não podemos deixar de pensar e de nos preocupar com elas. Talvez seja por isso que, para romper um relacionamento tão firme, nos tornamos violentos, furiosos. Isso só acontece quando existe o amor ...

Quando duas pessoas que estiveram profundamente apaixonadas se deixam, para fazê-lo, devem censurar-se, odiar-se, para quebrar um laço que apesar da sua vontade continua a resistir subterraneamente. Mas que, em caso de necessidade, cada um sentirá sempre o misterioso direito de pedir ajuda ou de socorrer o outro."

Francesco Alberoni

sexta-feira, dezembro 25

Portugueses levantaram mais de 1.700 M€ de 1 a 21 Dezembro

"Os portugueses levantaram entre os dias 1 e 21 de Dezembro mais de 1.700 milhões de euros, num total de 26 milhões de operações na rede Multibanco, segundo a SIBS.
Além dos 1.729 milhões de euros de levantamentos foram efectuados nos terminais de pagamento automático da rede Multibanco 47 milhões de compras no valor de 2.070 milhões de euros.
A SIBS afirma que o valor médio levantado por dia foi de 67 euros e o valor médio dos pagamentos de compras em lojas foi de 44 euros.
Face a igual período de 2008 o montante levantado pelos portugueses aumentou 3,66%, apesar do valor médio ter caído ligeiramente, em 0,26%.
Já as compras pagas na rede Multibanco aumentaram 11% em valor face ao ano passado, apesar de o valor médio ter caído 2,10%."
Quem diria que estamos em crise...
Rute

Acender a chama

“Viver a plenitude do amor, significa acender a chama do amor que todos os seres humanos possuem. É sentir amor sem ter que rotular, sem dar nomes ou ter que direcionar para outro ser, seja ele outro ser vivo externo a nós ou a Deus, a deuses, a santos, aos amigos, etc…

A plenitude do amor é simplesmente sentir amor e manter esse sentimento dentro de si mesmo até que ele extravase e ilumine todo o ambiente. Não importa se estás num dia mau ou num dia bom. Não importa onde moras, qual o teu sexo, se és rico ou se és pobre, .....A plenitude do amor é mais do que tudo isso. É uma força primordial que impulsionará os seres humanos para a evolução da espécie.....

Essa força foi-nos dada mesmo antes de nascermos. É uma lei universal. E cabe a cada um de nós acender a nossa própria chama. Nada nem ninguém pode fazer isso por nós. A evolução de toda a vida humana depende de cada um fazer a sua parte.”

(Texto adaptado)

Encontrei este pequeno texto com o qual me identifico muito, e não resisti a comentá-lo.

O amor, entendido desta forma, é uma atitude de vida, de estar na vida, é quase uma filosofia de vida, ........e é muito difícil de atingir.
E será que esta sociedade onde nos inserimos e onde somos “obrigados” a conviver nos permitirá alguma vez assumir esta atitude de vida? Duvido. Mesmo com muita fé e muita força interior, as solicitações e as agressões á nossa volta são demais, e não nos permitem paz de espírito suficiente para nos elevarmos a este nível.

Sim, talvez com o isolamento total. Mas ai existe um outro paradoxo. O ser humano é por definição um ser social. Salvo raras excepções, que confirmam a regra, o ser humano raramente subsiste ao isolamento. Portanto, isolamento, meditação, reflexão, atitude...não sei, não sei mesmo. Na verdade, o caminho que as sociedades ditas modernas estão a percorrer, é exactamente o contrário de tudo isso.

Não quero eliminar a palavra esperança do meu vocabulário, até porque acredito na força do meu amor, mas ainda estou muito longe de acreditar na força do amor do ser humano. Infelizmente, é a minha experiência de vida que mo sussurra ao ouvido.

De qualquer modo, nesta quadra festiva há que manter acesa essa luz de esperança, de preferência fazendo alguma coisa por isso.

A todos, desejo que consigamos acender e manter acesa, a chama do nosso amor.



quarta-feira, dezembro 23

Feliz Natal

Desejo a todos os participantes e leitores deste blog um Feliz Natal, recheado de coisas boas.


terça-feira, dezembro 22

Como a porca política suja um ministro limpo!

Começo por dizer que considero o ministro Teixeira dos Santos, o elemento mais credível e valioso dos dois últimos Governos. Mais, num período de crise como a que resistámos e resistamos, foi e está a ser, de uma enorme mais-valia contar com um homem da sua serenidade e credibilidade à frente, essencialmente, da pasta das Finanças.
Por isso mesmo, não merecia ter sido sujeito à "traição" de que foi alvo durante a passada semana. Enquanto assinalava e protestava, e muito bem, contra o "regabofe" e os "devaneios financeiros" do Governo Regional da Madeira e do palhaço-sem-maneiras que o governa, os seus parceiros deputados socialistas viabilizavam um empréstimo extraordinário de 79 milhões de euros, a contrair por esse mesmo Governo!
Porque será que me cheira a queijo limiano?! Desta vez com paladar madeirense, o que dará à aprovação do Orçamento de Estado - OE - 2010 um toque mais exótico!
Mais, será que ninguém avisou o senhor ministro das Finanças, que estavam a cozinhar mais uma negociata porca? Onde, no vale-tudo da política portuguesa, mais 79 milhões de endividamento do País (só 8€ por português) para aprovar um OE, até que foi uma pechincha!
Mas sendo ele o responsável pelo o OE, não seria justo ser ele a decidir qual a estratégia para o aprovar?! Parece que ele não gosta de negociatas, é esse o problema!
O problema do País é que a maioria gosta!

De camelos a passarinhos...

Já vão uns tempos desde que um ministro, que já nem o é, disse a propósito da localização do aeroporto a sul do Tejo, que "jamais", nem pensar já que essas bandas eram um autêntico deserto!

Pois na passada quarta-feira, o PS realizou em Beja as suas jornadas parlamentares, como já tem feito (e restantes partidos também) noutros locais do País. O primeiro-ministro - PM -começou o dia por Portalegre, onde já chegou atrasado, e de onde saiu às 14h30m. Mais atrasado ainda do que já tinha chegado. E com uma previsão de fazer Portalegre - Beja numa hora! Chegou claro às 16h00m a Beja. Atrasadissimo, já que era para estar em Lisboa, par assistir à posse dos novos conselheiros de Estado às 17h!
(Só um aparte nesta novela: Quando o PM saiu de Portalegre às 14h30, sabendo que deveria estar em Lisboa às 17h, não teria sido mais lógico ter rumado directo a Lisboa? Ou será que a questão partidária está acima do Conselho de Estado?)

Mas o que motiva a minha escrita indignada, foi o comentário dirigido por este ao lider parlamentar, Francisco Assis, à chegada, alto e bom som, conforme noticia de vários jornais, e ainda não desmentida:
"O que é que vocês vieram fazer para tão longe, ver passarinhos?!"
Para este senhor o Alentejo, Beja em concreto, é terra onde se vai apenas para ver passarinhos, tudo o resto é verbo de encher.
Por aqui não há indústria, comércio, um aeroporto para o qual não arranjam solução, uma EDIA que gerem como entendem, um sem número de problemas sociais, uma agricultura devastada, um dos rendimentos per capita mais baixos da Europa devido a incompetentes politicos...enfim pessoas, que não existem apenas quando é tempo de votar e nos restantes meses se transformam em passarinhos!

Como alentejano, filho de alentejano, e neto e bisneto de alentejanos, políticos deste calibre, com atitudes destas, são excelentes...no desemprego (onde nunca ficam!).

Tenha vergonha, peça desculpa, no minímo.

segunda-feira, dezembro 21

Governo destaca "qualidade e capacidade para criar riqueza e emprego" do Parque Alqueva

Reguengos de Monsaraz, Évora, 21 Dez (Lusa) - O ministro da Economia, Vieira da Silva, destacou hoje o facto de o projecto turístico Parque Alqueva, nas margens da albufeira alentejana, constituir um "investimento de grande qualidade", possuindo "capacidade para criar riqueza e emprego" na região e no país.
O projecto "vai permitir que se instalem neste novo pólo turístico, que esperamos que venha a desenvolver-se, uma capacidade de criar riqueza e criar emprego de que tem valor inestimável no país e nesta região", disse Vieira da Silva.
O governante falava à agência Lusa durante uma visita à Herdade do Roncão d'El Rei, onde está em construção um hotel, com 250 camas, um Wine Club e um campo de golfe, constituindo-se como a primeira fase do projecto turístico.


Boas notícias, mas para quando??


Rute

sexta-feira, dezembro 18

É portuguesa, tem muita qualidade e...

... nos dias de hoje, não é fácil não ter momentos de exaustão ou de ruptura. Por vezes sabe bem apagar a luz do escritório, recostar na cadeira, fechar os olhos e ouvir....é lindissimo, faz bem à alma, e no minímo não fará mal às decisões que iremos tomar de seguida.

Para ouvir até ao fim...

http://www.youtube.com/watch?v=j-Inommcyhk

Aumento de massa critica!

3ª semana de vida do Porquinho Mealheiro e registo a primeira entrada de docentes da ESTIG para o painel de "opinadores" residentes do blog. Benvidos carissimos José Serra e Elsa Barbosa, contamos com as vossas opiniões e comentários. Para termos um blog de Gestão e Economia da ESTIG de excelência e abrangente, é muito importante a participação aqueles que nesta nossa escola lecionam. Aos residentes mais antigos, continuem empenhados e participativos, para que o PM seja um animal de respeito!

Abraço
PPM

quarta-feira, dezembro 16

OS RECIBOS DE VENCIMENTOS DO EXECUTIVOS PSI20

A CMVM divulga hoje o relatório sobre a administração das várias sociedades que constituem o Índice PSI-20. De entre os inúmeros dados que poderíamos analisar, deixo um que deverá interessar aos futuros gestores formados na ESTIG e sempre cooperantes neste blog: Quanto ganharam em 2008 os administradores executivos das principais empresas nacionais?
Pois bem, em média, cada membro do conselho de administração executivo ou comissão executiva, das empresas do PSI-20, ganhou 777 mil euros. Nada mal, no entanto, houve uma perda de cerca de 30% relativamente a 2007, face a uma quebra generalizada nos resultados, o que afectou sobre-maneira a componente variável das remunerações.
Para finalizar, o sector financeiro pagou melhor do que o sector não-financeiro, pelo que aconselho-vos a olharem para umas pós-graduações em áreas da gestão bancária!


Nota: Quando eu conseguir os dados sobre as empresas públicas, fundações duvidosas e institutos talvez públicos, publicarei os mesmos. Posso enganar-me, mas tenho quase a certeza que com bons ou maus resultados, ninguém perdeu remuneração de um ano para o outro. No sector público, o prejuízo muitas vezes até dá direito a bónus e louvor.

Abraço
VMR

segunda-feira, dezembro 14

Sugestões Anti-Crise Dominam Anúncios este Natal!


"De instituições bancárias a operadoras de comunicações móveis, ninguém quer falhar a época.
Em nenhuma outra altura do ano, como no Natal, as marcas se aproximam tanto dos consumidores. Algumas apoiam causas sociais, outras alteram os planos criados durante o ano numa adaptação à época natalícia. E, apesar de um estudo da consultora Deloitte ter revelado que os portugueses iriam gastar menos 3,7% nesta época festiva, a prudência dos consumidores não parece fazer recuar os anunciantes.
Para Ricardo Monteiro, presidente da agência Euro RSCG, existem três regras essenciais para não cometer erros na comunicação natalícia. "Todo o exercício publicitário é de bom senso e adaptação à realidade que vivemos. Campanhas que promovam ostentação e exuberância não vão ser bem recebidas", disse ao Diário Económico. Para o especialista, as circunstâncias económicas forçam os consumidores a receber melhor produtos que tenham utilidades futuras. "Vamos reviver um pouco o passado e encontrar nos nossos sapatinhos o equivalente ao par de meias que as avós ofereciam", admite."
Aqui fica a minha sugestão, se querem economizar e ser solidários, passem pelo Cantinho dos Animais em Beja, um espaço que tem como objectivos o acolhimento temporário, o tratamento de animais abandonados e maltratados, e principamente pretende descobrir novas famílias de acolhimento! Pensem nisso!

Começo a perder a esperança...!!

De ver um real empenho dos alunos e docentes da ESTIG no blog! Não conseguimos passar de mais de 2 ou 3 comentários, com sorte, por post. Nem aquele em que vos desafiava a comentarem conseguiu mais do que 1 (UM) comentário. Artigos de opinião nem vê-los. Até as entradas, na ordem das 30/dia, estão muito há quem das expectativas!
Bom vamos ver o que nos reservam os próximos dias, mas muito provavelmente teremos de fazer o que a maioria dos portugueses já fez há anos: partir o porquinho mealheiro!

Abraço
VMR

quarta-feira, dezembro 9

Portugal cresce menos que o esperado no terceiro trimestre

A economia portuguesa cresceu 0,7% entre Julho e Setembro, contra o crescimento de 0,9% inicialmente avançado, revelou hoje o INE.
Em termos trimestrais, o PIB português cresceu 0,7% entre Julho e Setembro face ao trimestre compreendido entre Abril e Junho, precisa a mesma fonte. A estimativa inicial era de 0,9%.
Em termos homólogos, o Produto Interno Bruto (PIB) português contraiu-se 2,5% no terceiro trimestre, mais do que o recuo de 2,4% inicialmente avançado, revelam os dados hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Apesar de tudo, a quebra homóloga de 2,5% verificada no terceiro trimestre foi inferior ao recuo de 3,7% registado no segundo trimestre do ano, atribuindo o INE esta melhoria à redução menos acentuada da procura interna, particularmente do investimento", que confirma que o país saiu da recessão na segunda metade do ano.

terça-feira, dezembro 8

ESTIG e PRESTÍGIO

Prestígio, s.m. (do Lat. praestigiu) Domínio, fascinação, atracção, grande influência, importância social, respeito, consideração, mérito.

Caros docentes e discentes da mui nobre Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Beja,

Provavelmente na azafama diária para cumprir as obrigações familiares e laborais (para aqueles que são trabalhadores e estudantes, ou trabalham noutro local e dão aulas na Escola) e ainda ter tempo de pegar nos livros, ir às aulas e tentar terminar uma licenciatura ou possibilitar a outros os conhecimentos que levem a tal objectivo, não temos muitas vezes tempo para parar e pensar. Pensar em quê, concretamente, dirão.
Pois bem, pensar que o vosso trabalho na ESTIG, não será de todo de inferior intensidade e qualidade à maioria daqueles que estão noutras escolas superiores do nosso País. No entanto, algumas delas ao terem um rótulo de prestígio, ao serem reconhecidas como instituições de ensino superior de prestígio, possibilitam a quem lá leciona ou a quem lá se forma, um caminho muito mais fácil em toda a sua vida laboral extra-escola.
É certo que, não é de um dia para o outro que se adquire um estatuto de instituição de prestígio, e muitos são os factores que para tal contribuem, e muitos deles não são facilmente domináveis.
É também certo, que muitos de vós dirão que apenas querem o título de licenciado ou ter o prazer ou o proveito de dar aulas no ensino superior. Pois bem, mas nunca saberão como será o dia de amanhã e com quem terão de disputar um lugar e que lugar. E nesse dia, não será indiferente o vosso curriculum e de onde ele provém!

A ideia, ou o desafio que deixo aqui, e ao qual espero um contributo massivo da vossa parte, é saber de que forma, num curto prazo, podemos, todos nós, contribuir para que a ESTIG seja uma referência nacional, ou pelo menos regional, nas áreas e nos cursos que ministra.

Na parte que me toca, e no que ao curso de Gestão diz respeito, deixo desde já algumas ideias:
a) este blog apesar de ser uma brincadeira, poderá ser um enorme cartão de visita da qualidade da massa cinzenta que anda dentro daquelas paredes modernas; Participem, comentem, postem, sempre com qualidade e empenho, não entrem apenas para ver se mais alguém colocou alguma coisa e mais nada;
b) vamos por de pé uma ciclo de conferências, com figuras de destaque do mundo empresarial e da politica económica, onde, à parte de cor politica ou simpatias pessoais, se discutirá de que forma o Alentejo e Portugal podem realmente andar para a frente;
c) será importante trazer professores de outras universidades portuguesas, para através de colóquios ou aulas suplementares, partilharem connosco as suas experiências. Não que a qualidade daqueles que leccionam na ESTIG esteja em causa. Simplesmente, nos grandes centros como Lisboa e Porto, e respectivas universidades, existem académicos que terão uma experiência e uma forma de abordar os temas que contribuirá para um brain-storming de elevada qualidade, que só contribuirá para elevar a imagem do que de bom aqui se faz!
d) ao abrir a ESTIG a iniciativas deste âmbito, e outras, certamente também estaremos a revelar a nossa qualidade e a derrubar certos falsos estigmas, sobre a qualidade do ensino nos politécnicos do interior.

Mas certamente, muitas outras ideias e opiniões irão chegar. Conto convosco, para que o prestígio seja algo invisível mas presente no nosso curriculum futuro.

Abraço
Vitor Martins Romão

A CULTURA EMPREENDEDORA NACIONAL

É sobejamente conhecido que a imagem tradicional do empresário português não é muito abonatória, pelo menos quando comparada com outros paises avançados.
Assim , um inquérito recentemente feito a gestores estrangeiros radicados em Portugal revela que, em média, os nossos gestores são encarados como sendo demasiado formais , autocráticos, e pouco eficientes na gestão do tempo, alêm de pouco apostarem no planeamento estratégico e no trabalho de equipa. O mesmo diagnóstico é traçado num estudo de Miguel Pina e Cunha, que conclui que, apesar de se terem registado algumas melhorias nos ultimos anos, a qualidade média dos nossos gestores ainda deixa um pouco a desejar. Nomeadamente, segundo este estudo, muitos dos gestores portugueses são um pouco "paroquiais", continuam a improvisar em demasia, tomam resuloções muitas vezes " em cima do joelho" e deixam muitas decisões para a última.
Igualmente, em média, as empresas nacionais tendem a adoptar técnicas de gestão menos sofisticadas do que as utilizadas por empresas estrangeiras sediadas em Portugal.
Num relatório de 2004 do Global Entrepreneurship Monitor é revelado que Portugal tem uma baixa taxa de actividades empreendedoras, nesse ano e nesse relatório referia que só existiam quatro empreendedores em cada cem portugueses.

segunda-feira, dezembro 7

Sondagens do Porquinho

Após duas semanas de porquinho e duas sondagens, podemos concluir:
- 70% dos nossos visitantes acham que muita coisa na ESTIG não tem de ter explicação;
- 0% acha que quem gere a escola toma as opções com base numa perspectiva económica;
- 42% entende que o melhor era privatizar as câmaras municipais, ou seja, quando não doi a ninguém, não há preocupação em curar as feridas!
- 35% acha que só se trabalha nas câmaras antes das eleições, por isso o melhor é haver eleições de 6 em 6 meses!
- E eu acho que andamos a votar pouco!

Abraço!
VMR

sexta-feira, dezembro 4

Dívida Pública aumenta 28 mil mihões e chega a 113%

Pela primeira vez, este ano a dívida do Estado e das empresas públicas à banca e em títulos ultrapassa a riqueza produzida no País. Factura com juros vai subir nos próximos meses
A dívida do Estado, incluindo as empresas públicas, deverá este ano atingir 113,3% do produto interno bruto (PIB), contra 93% do PIB em 2008. Os empréstimos públicos contraídos à economia - no montante de 182,6 mil milhões de euros - através de créditos bancários e em títulos como as obrigações do Tesouro, aumentaram 28 mil milhões de euros, em relação a 2008, uma verba que daria para construir cinco aeroportos como o de Alcochete.
A dívida directa do Estado - contraída junto de investidores portugueses e estrangeiros, para financiar sucessivos défices orçamentais que serviram para pagar despesas com a Saúde, Educação, Defesa, investimentos e salários públicos, pensões - deverá orçar em 132,5 mil milhões de euros, de acordo com os últimos dados divulgados pelo Ministério das Finanças.
Só a dívida do Estado, sem contabilizar as empresas públicas, no final deste ano deverá representar 81,2% do PIB e, em 2010, deverá alcançar os 90% da produção, atingindo os 100% em 2013, tal como sublinhou o Fundo Monetário Internacional esta semana. Mas, para este ano, isto significa mais despesa para além do estimado em Setembro passado, pelo Instituto Nacional de Estatística, quando se calculava um endividamento de 74,5% do produto. Contas feitas, após sucessivas alterações orçamentais, o Estado endivida-se este ano em 15 mil milhões de euros.
A somar à dívida do Estado, estão os passivos das empresas públicas, a maioria titulados em empréstimos bancários e em emissões de títulos, como as obri- gações. Para não aumentar o défice orçamental, a maioria destas EP são "empurradas" a endividarem-se, assumindo custos financeiros crescentes. No final de Setembro, a dívida conjunta das cerca de 80 empresas publicas atingia os 50 mil milhões de euros, 31% do PIB, de acordo com dados ontem divulgados.
Metade desta dívida está concentrada nas Estradas de Portugal, Refer e CP. Em apenas um ano, estas empresas aumentaram o passivo em 1,8 mil milhões de euros, 1,1% da riqueza do país. O Metro de Lisboa e o Metro do Porto, no conjunto, contraíram dívidas de 6,4 mil milhões de euros e, em apenas um ano pediram à banca mais 700 milhões de euros. Tal como a Refer e a CP, estas empresas estão tecnicamente falidas, com os passivos a superarem já os activos.
E as responsabilidades futuras do Estado não param por aqui. Nas parcerias público-privadas (PPP), os compromissos assumidos para os próximos três anos (até 2012) implicam já uma despesa de quatro mil milhões de euros.

Diário de Notícias

quinta-feira, dezembro 3

UMA OPÇÃO LUMINOSA!

NOTA INTRODUTÓRIA: Se Portugal conseguisse reduzir o consumo de petróleo em 10%, e aumentasse as exportações em 2%, mantendo-se as importações de outros produtos que não petróleo iguais, a nossa balança comercial EQUILIBRAVA!!
Além disso, para quem quer ter um carro que não seja para grandes viagens, leia com atenção o que vem a seguir, façam contas e veja por quanto vos fica um carro NOVO! E MUITISSIMO ECONÓMICO!


O Conselho de Ministros aprovou hoje a legislação destinada a criar uma rede de abastecimento de energia para carros eléctricos.

O Decreto-Lei hoje aprovado pelo Conselho de ministros não só estabelece as regras para a criação de uma rede piloto para abastecer os carros eléctricos, como também a legislação geral para a mobilidade eléctrica.

A lei tem como objectivo “a introdução e massificação da utilização do veículo eléctrico a nível nacional”, indica o documento.

“Este diploma posiciona Portugal como pioneiro na adopção de novos modelos para a mobilidade, sustentáveis do ponto de vista ambiental, que optimizem a utilização racional de energia eléctrica e que aproveitem as vantagens da energia produzida a partir de fontes renováveis”, nota o Governo.

Esta rede vai permitir a qualquer cidadão ou empresa utilizar o seu veículo eléctrico e carregá-lo em qualquer ponto da rede de carregamento no país, utilizando um cartão de carregamento, que incluirá soluções de pré-pagamento.

O mesmo Decreto-Lei cria, ainda, o subsídio de 5.000 euros à aquisição, por particulares, de veículos automóveis eléctricos, o qual poderá atingir os 6.500 euros, no caso de haver simultaneamente abate de veículo automóvel de combustão interna, sujeito às condições actualmente vigentes em matéria de abate de veículos.

“O Governo prevê, também, ainda adoptar outras medidas nesta área, como a fixação de majoração de custo em sede de IRC, em aquisições de frotas de veículos eléctricos pelas empresas, em termos a definir, nota o comunicado.


Vitor MArtins Romão

FMI: contenção nos salários públicos e subida do IVA

O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que a consolidação orçamental em Portugal passa pela redução da despesa, sobretudo da massa salarial dos funcionários públicos.
«A consolidação deve concentrar-se na redução da despesa corrente primária, especialmente da massa salarial do sector público (com base nas recentes reformas da administração pública) e das transferências sociais», dizem os economistas do FMI no artigo IV, dedicado à análise da economia nacional.
O FMI pede, por isso, «muita contenção» nos aumentos salariais para o próximo ano, sobretudo depois do grande aumento, em termos reais, verificado este ano e aponta para a necessidade de sinalizar a contenção salarial ao sector privado.
A principal necessidade, revela o mesmo artigo, «consiste em adoptar rapidamente uma estratégia credível a médio prazo baseada em projecções realistas e medidas concretas».
Portugal vai continuar a crescer menos que a Europa
O Fundo Monetário Internacional estima ainda uma «recuperação fraca e frágil de cerca de 0,5 por cento em 2010», para o nosso país.
No mesmo artigo que passa a pente fino a economia e a actuação dos Governos nos vários países, os peritos avançam que «o crescimento económico parece apontar para uma recuperação fraca e frágil de cerca de meio por cento em 2010» e sublinham que «as perspectivas são pouco melhores a mais longo prazo».
«Portugal deverá continuar a registar um crescimento inferior ao da área do euro e elevados níveis de desemprego», advogam antes de reconhecerem que foram executadas «reformas significativas».
Ainda assim é necessário que «o Governo reduza o seu défice» e as «empresas se tornem mais eficientes», sendo que as famílias devem «poupar mais».
Impostos deverão subir
Para conseguir cortar o défice para menos de 3% em 2013, meta que o FMI considera improvável de ser atingida, Portugal terá que «apertar o cinto» a valer. Mas isso pode não chegar.
O Fundo aponta para a probabilidade de vir a ser necessário um aumento de impostos, nomeadamente no IVA, já que a recuperação económica não deverá fazer aumentar o suficiente as receitas do Estado.
Fonte: Agência Financeira

quarta-feira, dezembro 2

Portugal não vai ser cabeça-de-serie no sorteio

Portugal estará no pote 4, juntamente com a Dinamarca, França, Grécia, Sérvia, Eslováquia, Eslovénia e Suíça durante o sorteio de grupos do Mundial de 2010, decidiu hoje a FIFA.

Mas Portugal vai ao Mundial???

DR

Desemprego atinge os 10,2%

Pois é meus amigos, com o desemprego a ultrapassar os 10% e com uma estimativa nula de crescimento do pib para 2010, precisamos de bons gestores para dar a volta a isto.

Alguem me dá sugestões para atrufiar estes resultados??


Ps:Mostrem aos nossos ministros a vossa qualidade
Já visitaram o porquinho... »»» Free Hit Counter