Castelo de Milfontes está à venda
O Forte de São Clemente, mais conhecido como Castelo de Milfontes, no concelho de Odemira, um edifício classificado como Imóvel de Interesse Público, que 'protege' há mais de 400 anos a foz do Rio Mira, está à venda
Comprado em 1903 em hasta pública, quando «o Estado precisava de dinheiro» e o edifício deixou de ter uma «função militar», segundo explica o historiador local António Quaresma, o Castelo de Milfontes, depois de passar por vários proprietários, está de novo à venda.
Em declarações à Agência Lusa, António Quaresma defende que esta é uma oportunidade para a única fortificação do género no concelho de Odemira regressar para a tutela do Estado e se tornar «um edifício aberto ao público», com «funções culturais» e eventualmente «comerciais».
«Como propriedade privada, vai continuar como um edifício fechado ao público, que poderá ser usufruído por meia dúzia de pessoas», argumenta, destacando que o edifício foi construído em 1602, a mando da realeza, para proteger a região de ataques «de corsários» e «de Inglaterra».
A entrada do Castelo remete qualquer visitante para outros tempos: o acesso à porta principal do edifício é feito por uma ponte levadiça, agora permanentemente deitada, que passa por cima de um antigo fosso, transformado num jardim verde, a partir de onde heras trepam as paredes.
Após ser alvo de obras de recuperação por D. Luís de Castro e Almeida, que adquiriu o imóvel em 1939, o Castelo serviu de residência, mas também de «casa de hóspedes», actividade que manteve até há pouco tempo.
O actual proprietário, que prefere não revelar a sua identidade, revela à Lusa ter decidido há alguns meses vendê-lo, quando verificou já não reunir condições para manter a «casa de hóspedes», tendo confirmado a visita de alguns interessados, «sobretudo portugueses».
Admitindo a possibilidade de venda ao Estado, o proprietário vê o Castelo «uma casa», e considera difícil a «transformação» necessária para que «tenha interesse público», mostrando preferência em «manter o espírito da casa».
António Quaresma reconhece a «importância» da intervenção privada na conservação do edifício, apesar de «obras destinadas a torná-lo mais habitável», que lhe «conferiram um aspecto um pouco diferente», mas insiste: «o caminho a tomar agora é de novo torná-lo um edifício público».
O especialista, destacando a «preservação do Forte em termos arquitectónicos», defende a actuação, como entidade pública, da Câmara de Odemira.
Contactado pela Lusa, o vereador da Cultura, Hélder Guerreiro, confirmou ter conhecimento da situação do imóvel, remetendo eventuais esclarecimentos para o presidente da autarquia, que não foi possível contactar em tempo útil.
Construído na margem direita do Rio Mira, o Forte tem uma vista privilegiada sobre a foz, o que lhe permitiu, em tempos, proteger Vila Nova de Milfontes, localidade que hoje é dos pontos mais visitados do Litoral Alentejano durante o Verão.
O Castelo de Milfontes, alvo frequente das objectivas dos turistas, que geralmente não ousam atravessar o portão fechado, pode ser encontrado à venda, entre várias 'casas de luxo', no site da imobiliária Sotheby’s International Realty.
Fonte: Sol / PM
segunda-feira, novembro 23
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